terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Poço- Pablo Neruda


Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.
Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?
Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.
Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.
Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.
Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Propaganda- Um ensaio ao dia do publicitário


Gehard Demetz


Comprando o que parece ser
Procurando o que parece ser
O melhor pra você
Proteja-se do que você
Proteja-se do que você vai querer
Para as poses, lentes, espelhos, retrovisores
Vendo tudo reluzente
Como pingente da vaidade
Enchendo a vista, ardendo os olhos
O poder ainda viciando cofres
Revirando bolsos
Rendendo paraísos nada artificiais
Agitando a feira das vontades
E lançando bombas de efeito imoral
Gás de pimenta para temperar a ordem
Gás de pimenta para temperar
Corro e lanço um vírus no ar
Sua propaganda não vai me enganar
Como pode a propaganda ser a alma do negócio
Se esse negócio que engana não tem alma
Vendam, comprem
Você é a alma do negócio
Necessidades adquiridas na sessão da tarde
A revolução não vai passar na tv, é verdade
Sou a favor da melô do camelô, ambulante
Mas 100% antianúncio alienante
Corro e lanço um vírus no ar
Sua propaganda não vai me enganar
Eu vi a lua sobre a Babilônia
Brilhando mais do que as luzes da Time Square
Como foi visto no mundo de 2020
A carne só será vista num livro empoeirado na estante
Como nesse instante, eu tô tentando lhe dizer
Que é melhor viver do que sobreviver
O tempo todo atento pro otário não ser você
Você é a alma do negócio, a alma do negócio é você
Corro e lanço um vírus no ar
Sua propaganda não vai me enganar

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Vaidade? Só tenho uma: me vilanizar em público



“Não ocultei o monstro: jamais hei de ocultá-lo.
Jamais erguerei paredes para vedá-lo às vistas dos curiosos
e maledicentes.
Jamais hei de exilá-lo.
Ao contrário:
plantei-o no trono do salão central do palácio que ergui
para abrigá-lo, na capital do meu reino, no umbigo desta
ilha que eu mesmo tornei eixo
do mundo.
Que para ele convirjam todos os turistas, todas as rotas
marinhas, todas as linhas aéreas, todos os cabos submarinos,
todas as redes siderais.”
Trecho de Minos, poema de Antônio Cícero

*Para ver mais no BLOG da BRAVO, basta clicar no titulo do Post!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Diesel Sneackers









Propaganda é coisa séria, mas quem falou que algumas vezes ela nao pode passar a mensagem da forma mais divertida possível?
Assistam e aprendam uma outra maneira de se usar um tênis!
Copiei do "Plie Blog"

sábado, 23 de outubro de 2010

Da beleza e outros demonios


Ontem, escutei um elogio sincero e, confesso, precisava há muito disso, desse carinho delicado, carinho torto eu sei, mas delicado que aparecendo como apareceu, me fez uma grata surpresa e me mostrou que ainda tem alguma coisa aqui dentro que me ilumina...
Foi mais que ego, foi tão bonito ouvir que eu merecia uma pintura grande, e foi um "grande" dito de uma forma tão intensa, me senti feliz por merecer algo assim, e fui pensar sobre a beleza.
A beleza, mística para alguns, deve partir de dentro, é uma busca milenar e invisível por transmutar o que existe "de feio" no que é "belo" subjetiva e ingrata, essa busca influencia, agride e confunde, mas movimenta.
Na Índia, a beleza da mulher é estimulada e acontece muito de fora para dentro, os rituais seguidos exigem um trablho de paciencia e disciplina em busca da beleza. Encontrei hoje alguns desenhos em henna que ilustram bem essa busca pela tão sonhada beleza e quem quiser conferir basta clicar aqui. Vale a pena algumas vezes encontrar o seu belo e deixar que ele tome conta de alguns processos que há muito parecem meio sem conserto.
A beleza se molda e contorna cada um de nós na medida exata para a evolução que buscamos.

Só papel?

Já pensou em um mundo assim?
O paraíso das traças? Sociedade dos letrados e conscientes?
Don lucho prova que isso é muito mais que possível, tudo no papel, tudo recriando o real. Confira!