quarta-feira, 8 de maio de 2013

Piada de um medico sovina

O paciente foi ao médico e desenganado recebeu três meses de vida.
Após três meses e, sem morrer, voltou ao médico e recebeu mais três meses.

Autor: Medo e Demencia

terça-feira, 7 de maio de 2013

Musa




Síntese

-Sua boca cheira a cemitério, eu sei que é porque você não come. Ele disse
-Eu sei, deve ser o cheiro da minha alma que morre quando está ao seu lado. Ela pensou.

A futilidade ou a vaidade?

Então eu me pergunto...
Vale mais um sofá de qualquer merda de lugar que eu escolher ou ter a brilhante idéia de fazer um filho em outra pessoa?

quarta-feira, 1 de maio de 2013

O Síndico

A arte é maior que qualquer comportamento!


Rabiscando a persona

Esse texto foi escrito a pedido da Psicanalista Anna Oliveira para uma curadoria do filme de Bergman, Persona.
As impressões são pessoais e baseadas também em inúmeras entrevistas que assisti do próprio autor.

 Bergman por definição é sempre brilhante por simplicidade, me explico, o artista é aquele que consegue causar reflexão, no entanto, faz isso de forma sempre despretensiosa, autobiográfica e por isso apaixonante e desmistificada, desnuda do desejo de comover, deixa para os atores essa pretensão, ele enquanto artista, apenas se mostra.
Sempre tive um amor cativo por Bergman, sua genialidade prende, mas nunca havia visto nada da pessoa dele, a tranquilidade que demonstra, se contrapõe com aquilo que materializa, tem desejo por chuvas de verão intermináveis e obsessão por horários rígidos, oscilava quando criança entre a realidade e o sonho e, misturar tudo o isso o tornou inquietantemente acessível.
Persona é vivência do autor, aquilo que o habita, desvelando de forma magistral o que está contido em nós, em alguns momentos nossa histeria, como a de Alma, em tantos outros a paz como a de Elizabeth Vogler, costuradas de forma brilhante e cheias de pontas a serem puxadas, tal qual as sinapses.
Alma e Elizabeth somos nós, divididas apenas para se tornar visível ambos os lados da nossa personalidade, aquelas são os múltiplos ângulos do próprio autor, tentando ser transparente, acalmando nossas questões, incitando a pensar sobre nossas polaridades de maneira natural, quase afirmando que a histeria nos habita tal qual a paz.
Vogler silencia por renúncia a violência que considera ser a vida em sociedade, tal ponto fica claro quando se mostram as cenas reais do monge budista queimando vivo, ou da criança na segunda guerra mundial, ou ao final quando descobrimos sua inabilidade a maternidade, traço reprovável em sociedade, mas absolutamente possível.
No entanto, escolher uma vida silente, abnegada de convívio, trouxe paz, uma paz para tantos tão misteriosa que, seria possível uma tese de mestrado, na minha humilde opinião era apenas o seu nirvana, sendo desnecessária qualquer análise.
Em contrapartida, nossa histeria, Alma despe sem pudores o seu lado sombrio, seus medos e inseguranças, um desejo quase infantil como o que revela por trás do discurso projetado sobre Vogler, quando lê a carta, quando se vinga deixando o caco de vidro no chão, ou quando briga de forma descontrolada por não ter sua vontade saciada.
Quando nos olhamos por esse prisma, sentimos conforto, a humanidade é assim, infinita, um livro de questões intermináveis, algumas vezes é preciso silêncio para acalmar, outras tantas, uma boa dose de histeria para edificar, mas acima de tudo isso, ser capaz de empreender essa busca por si mesmo, sem perder a paixão, isto é arte, isto é o filme.
Para finalizar, termino com uma frase de Bergman em uma de suas entrevistas: “Eu nunca pedi que entendesse, pedi apenas que sentisse”

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O Professor

Memória é um dom, importante pra edificar ou derrubar de vez, te fornece uma nova perspectiva sobre aquela cena velha, mostrando um momento e o resultado sobre sua vida, é realmente impressionante o impacto desta ferramenta pra separar os humanos dos peixes por exemplo.
Pra mim a juventude foi um momento engraçado, pude ser mil pessoas diferentes e circular por mil lugares, com várias tribos que jamais se misturaram, permanecendo naquela turma apenas o tempo suficiente pra virar saudade ou pra absorver o que eu considerava como bastante, fiz muita história.
Dentre tantos momentos que ficaria horas pra contar cada um deles, me lembrei de um professor de redação que tive da 8 série, o Humberto, um cara genial que marcou minha vida pra sempre e sem dúvidas foi um divisor de águas, esse cara me ensinou o senso crítico, teve a manha de me ensinar a pensar.
Também poderia dissertar séculos sobre como ele realizou esse trabalho árduo de enfiar na cabeça de um adolescente que o mundo poderia ir além de apenas possuir, claro que na época a falta de acesso a internet e ao celular facilitaram bastante, ainda tínhamos que procurar na Barsa e quando muito internet discada aos domingos, mas tirando isso, o cara sabia o que tava fazendo, mesmo que atingisse poucos.
Tem um dia que me recordo particularmente, foi quando ganhei o respeito dele, aquele dia ele sabia que podia contar comigo pra aprender o que ele quisesse ensinar e, foi quando no meio de uma sala lotada de hormônio, espinha e vozes mudando de tom, ele entrou e, sem pedir silêncio, ele fez o silêncio.
O Humberto era todo franzino, magrinho e pequeno, entrou e pediu silêncio baixinho, ninguém ouviu e continuaram a fazer um barulho danado, ele se calou, parou na mesa e ficou olhando todo mundo, esperando a zona acabar, mas foi em vão.
Me lembro que foi a primeira vez que senti vergonha alheia, ao menos que eu me lembre, comecei rindo com todo mundo, mas me calei rápido, sai lá do fundão e me sentei em frente a ele, calada olhando a cena e pensando sozinha como era possível que ninguém respeitasse ou entendesse aquele momento de sabedoria milenar repaginado pra versão adolescente.
Todo mundo quer respeito, atenção, ser ouvido, mas não para pra assimilar que tem alguém querendo falar, se expressar e dividir um momento importante, o que custa minha gente respirar cinco minutos e absorver de coração o que o outro tem a dizer?
Custa caro na minha opinião, custam pessoas disseminando frases de auto ajuda na rede social, falando que pra ter amor, tem que dar amor, que um dia o mundo dá voltas e fulano vai perceber, mas a impressão que tenho tantas vezes é que o mesmo fulano que posta isso, foi quem tava lá sem parar pra ouvir aquele cara cheio de idéias brilhantes na sala.
Atenção minha gente, suas expectativas sobre os outros, são na maioria das vezes a que você frustrou de alguém, é preciso atenção meu povo, pra perceber os finos traços que constroem uma personalidade de caráter, coragem pra ouvir mais e ter menos opinião sobre tudo.
Naquele dia, ele entrou mudo e saiu calado, não disse a que veio, não falou nada, fiquei sem saber até hoje o que ele queria dizer, mas sem dúvida alguma me deixou de lição que o silêncio vale muito, vale a conquista do respeito de outra pessoa ou a perda de alguém admirável para sempre.